A MORTE COM UM JEITO DIFERENTE!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009




Bebericava uma cerveja quente neste bar lá perto de casa quando me aparece uma figura muito estranha. Ela vestia uma túnica preta, carregava uma foice e parecia flutuar por sobre o chão.
- Pedrooo…


- Ei, psiu, sai fora. Tenho dinheiro pra te dar não.


- Yo vengo te buscare, Pedrooo…


- O quê?-


Yo soy la Muerteee…


- A morte? Não, peraí, acho que houve um engano aqui, meu senhor. Eu ainda sou muito jovem e gozo de boa saúde.


- No, no. Es usted miesmooo…


- Olha só… tem um asilo cheio de velhinho do outro lado da rua. É logo ali e você vai adorar. Vamos lá fazer uma festinha, anda.


- No, no quieroooo! Tire su mão de mi braçooo…


- Tá bom, calma. Mas e se nós fizéssemo um acordo, hein? É que eu ainda sou muito jovem.


- Uno acuerdoooo?


- Isso. Nós disputamos um jogo. Se eu ganhar, fico por aqui mesmo.


- Mas que juegoooo? El xadrezzz?


- Não, xadrez é muito complicado. Nunca aprendi a jogar. Pra falar a verdade, o único jogo que eu conheço é o Super


-Trunfo de carro. Aquele das cartinhas, conhece?


- Siiii, coñeço… Vamos juegare entonces…



Chegando em casa…



- Ô Máaarcia! Põe mais água no feijão. A Morte veio aqui pra jogar comigo.


- Hein? Mas o que é isso? Você vem da rua e fica trazendo essas coisas pra casa! Mês passado foi aquele cachorro sarnento, agora vem com essa Morte.


- Márcia, por favor! Ela é visita.


- Visita ou não visita, isso daí não senta no meu sofá.


- Ahh… Desculpa, dona Morte. É que a Márcia é chata pra cacete mesmo.


- No problemaaaaaaa…


- Deixa eu embaralhar aqui as cartas. Aceita um torresmo?


- Si…. Humm, muy gostosooooo….


- Toma aí. Você começa.


- Humm… Yo escolho la velocidaddddd…


- Ok, meu carro faz duzentos e…


- Ei, amor, eu sei o que essa Morte é! Tem foice, é comunista.


- Porra, Márcia!! A gente tá tentando jogar aqui! Dá um tempo.


- Não, sério. Aposto que essa coisa nojenta aí é do PT. Movimento dos sem terra, essas coisas. Olha a foice.


- Yo no soy del PTTTT…


- Márcia, será que você não percebe que eu tô tentando salvar minha vida aqui?! Vai arranjar o que fazer e me deixa em paz!!


- Eu é que quero paz. Minha mãe sempre dizia que…- Chega!! Quer saber de uma coisa, dona Morte? Meu carro não faz nem 40 quilômetros por hora. Você ganhou, me leva daqui, me tira de perto dessa mulher.


- Nonnnn… Yo quiero elaaaa… Yo gosto de tu mujeeerrrr….


- Hahaha, quer leva a Márcia? Tá na mão. Ôoo Márcia, faz aí a sua malinha. A Morte vai te levar com ela.


- Me levar pra onde??


- Coñieces Arubaaaa?- Não, é bonito?


- Mutchas playaaaas, cassinoosssss….


- Praias, cassinos, hummm… Ok, vambora.


- Ei, ei, ei. Peraí. Me leva nessa bocada também!


- No… Deu moleeeeeee….



Texto: Pedro Ivo Resende - Loser